quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Quem são eles?

Músicos Cristãos: Ministros ou Artistas?
Flávio Santos


Há algum tempo escrevi um artigo sobre música em que explico a minha visão de compositor sobre música, pelo qual recebi elogios e críticas. Passado algum tempo, tenho novas reflexões sobre música e seu papel na igreja as quais gostaria de compartilhar com vocês.
Em 1977, quando eu ainda cursava a oitava série do primeiro grau, conheci os Herige Singers e meu interesse pela música foi despertado. Naquela época a música religiosa Brasileira se resumia a Arautos do Rei, Del Delker, Alfredo Arruda, Manuel Escórcio, Vencedores por Cristo, Luiz de Carvalho, Denise, Zilda Azevedo e outros poucos nomes.
Lembro-me da revolução na igreja causada pelos Heritage. Um clip deles foi ao ar no programa Fantástico da Rede Globo e a Rádio Eldorado FM fez um programa de uma hora sobre o grupo. Para o meio gospel da época o início de uma nova era na música religiosa.
Desde menino fui aficionado por long plays e em nenhuma loja secular se encontrava discos evangélicos. 25 anos se passaram e o Brasil mudou e música religiosa brasileira mudou. Os Heritage Singers eram em 1977 um grupo proeminente entre vários outros grupos que atuavam na mesma época tais como Maranatha Singers (da série Praise), Continental Singers, Paul Johnson Singers, Sixteen Singing Men, entre outros.
O arranjador dos discos dos Heritage era o maestro Ron Huff cujo talento o levou a trabalhar recentemente com Celine Dion em seu cd de natal. Um dos compositores interpretados pelos Heritage era William Gaither (sim o Bill do Gaither Vocal Band tão famoso entre os quarteteiros de hoje.) O que pro Brasil era o início de uma revolução nos Estados Unidos era um fim de duas décadas de renovação da música cristã.
Compositores como Don Wyrtzen (Foi Assim), John Peterson (A Paz do Céu), Jimmy Owens (Se meu Povo), Ralph Carmichael (Lugar de Paz), Kurt Kaiser (A Pequenina Chama), Otis Skillings (O Mundo há de Saber), Andrae Crouch (Foi Assim, Não Via Tardar e Meu Tributo) entre outros foram os que lideraram este rico movimento de música vocal cristã que iniciou nos anos 60 e prosseguiu ativamente até 1980.
Neste período havia um interesse muito grande por música para grupos vocais mistos e em função disso foram escritos muitos musicais e cantatas. Estas mesmas obras foram também utilizadas pelos corais de igreja que tinham em média 30 cantores. A febre por conjuntos e pequenos coros nos Estados Unidos era tão grande que toda Igreja, Colégio e Universidade tinha o seu conjunto ou pequeno coro e as livrarias evangélicas tinham uma infinidade de hinários, lps e play-backs para suprir esta necessidade.
No Brasil este movimento veio com aproximadamente 20 anos de atraso. Hoje com a globalização o Brasil se tornou mais um estado do grande Globo dominado pelos Estados Unidos e as coisas já não demoram tanto tempo pra chegar aqui.
Voltando a 1977, o meu sonho de menino era conhecer este universo de música vocal tão rica e abundante que se encontrava na América do Norte e pude realizar este sonho em 1982 quando fui trabalhar como estudante missionário em Toronto, Ontário, Canadá.
Mas ao chegar lá e iniciar meu reconhecimento musical no que havia de novo nas livrarias evangélicas, percebi que algo havia mudado. Pilhas de hinários e lps para conjunto em liquidação, Poucos novos lançamentos, editoras falidas, como Lexicon Music, ou vendidas, como a famosa Singspiration, e percorrendo umas 20 livrarias evangélicas consegui comprar alguns discões muitos deles os últimos do estoque.
Ao mesmo tempo, a música para conjunto vocal estava ficando fora de moda e não faltam razões para isso ter acontecido, pois para se manter um conjunto profissional de 16 ou 20 pessoas era preciso um ônibus, um belo equipamento de som e muito dinheiro para despesas de viagens e promoção. Os grupos foram diminuindo de tamanho: Vejam as capas dos lps dos Heritage. No final dos anos 70 a cada nova formação o grupo diminuía de tamanho ao ponto de ficar com 6 ou 7 pessoas. Ao mesmo tempo que os grupos diminuíram de tamanho diminuíram os grupos e apareceram os solistas, os trios e as bandas.
Em 1980 surgiram Amy Grant, Evie, Sandi Patty, Michael W. Smith, Gaither Vocal Band, First Call, entre outros e os ministérios solo se multiplicaram como coelhos. Hoje, ao entrar em uma livraria evangélica ou pesquisar na internet nomes de artistas de música cristã encontra-se milhares de nomes. Recentemente a maior gravadora de música evangélica do mundo, a Word, que foi comprada pela gigante multinacional AOL Time-Warner. Na ocasião foi informado que a Word é proprietária de 75.000 matrizes de produções evangélicas.
Nashville, a cidade considerada a capital da música sertaneja, tornou-se a capital da música gospel.
Com essa "pequena" introdução histórica vou tocar num assunto incomodo mas verdadeiro. A música cristã se tornou um negócio. Assim como algumas igrejas se tornaram empresas.
1. Música Cristã é um negócio secular? Sim e não: Veja bem: 90% das músicas cantadas em nossos hinários e gravadas por artistas religiosos são patrimônio das cinco grandes indústrias da música: AOL Time-Warner, Universal, BMG, Sony e EMI. Estas grandes multinacionais são donas ou acionistas dos principais selos e gravadoras cristãs e tudo é decidido por pessoas com uma visão empresarial secular de lucro. Existem muitos artistas independentes que sobrevivem da venda de igreja em igreja ou livrarias evangélicas. Mas os mais famosos e que mais vendem são propriedade das poderosas.
2. Quer dizer que o hino do hinário que eu canto é parte de um esquema financeiro secular poderoso? Infelizmente tenho que dizer que a maior parte do que foi produzido nestes últimos anos sim. Os compositores não fizeram suas músicas com esta intenção mas a necessidade de sobrevivência os motivou a vender os direitos de exploração comercial destas canções para as editoras que foram vendidas para as multinacionais.
3. O que esse fato afeta o ministério de música em minha igreja? Com o desaparecimento da música coral ou conjunto misto no final dos anos 80, o movimento CCM (Música Cristã Contemporânea) se caracterizou pelo surgimento dos chamados artistas cristãos. Diversos artistas da música evangélica se tornaram conhecidos e a música evangélica seguiu um caminho que em resumo foi o seguinte: A cada cd ou novo lançamento gospel o nome Jesus ou Deus foi desaparecendo. E cada vez mais os elementos musicais se aproximavam dos artistas seculares em sucesso na época. Hoje pra cada Backstreet Boys e Britney Spears secular o meio gospel tem o seu cover. Naturalmente alguns cuidados são tomados, por exemplo: as letras são neutras... Não ofendem, mas também não falam de Jesus. As capas são mais comportadas, mas muitas vezes os mesmos músicos, produtores, compositores do mundo, escrevem para os cds gospel. Não quero com isso dizer que a participação de pessoas não cristãs no processo seja ruim. O que quero é mostrar que na maioria das vezes são as pessoas do mundo que estão determinando o que se vai consumir em música evangélica. Tenho alguns exemplos: O Roupa Nova produziu o cd da Aline Barros, o Patrick Leonard, produtor da Madonna, produziu um dos cds do Michael Smith. Não são apenas músicos tocando ou interpretando música cristã. São pessoas não cristãs criando e produzindo a música que mais tarde é cantada na igreja. É mais ou menos como os jornalistas da Globo ou da revista Caras escrevendo os sermões que serão pregados em nossas igrejas.
4. O púlpito é um palco de shows ou um santuário? Cada vez mais nossos solistas e conjuntos (sim a era de conjuntos ainda não acabou no Brasil) estão transformando nossos cultos em shows de música. Cada vez mais nossos esforços evangelísticos são precedidos de shows. Com palmas e manifestações de apreço, muitas vezes pela mensagem da música, mas na maioria das vezes pelo artista. Cada novo cd que é produzido existe uma preocupação em ter no repertório músicas pra Ginásio e pra Rádio, e muitos cds já não tem mais músicas apropriadas para culto ou apelo. Da mesma forma que Celine Dion a Mariah Carey têm conquistado seus ouvintes com voltinhas, agudos e grunhidos, e músicas de apelo dramático com finais apoteóticos. Nossos cantores evangélicos tem imitado o mundo.
5. E os cds? Por incrivel que pareça, é muito mais fácil produzir um cd de Jazz ou música regional do que um cd Evangélico. Se você parar e escutar alguns cds de bossa nova, country ou Jazz (Smooth Jazz pra ser mais preciso), se encontra mais paz e tranqüilidade do que na maioria dos cds gospel de hoje. Num cd de jazz aceita-se que todas as músicas sejam lentas, intimistas e calmas. O comprador não se importa se o cd tem uma unidade formal e as músicas sejam numa mesma linha. Já no cd gospel a regra é outra. Tem que vender e pra isso precisa orquestra, vocal, diversidade, movimento, excitação, novidade, etc. E quem disse que música cristã tem que ser euforia o tempo todo?
6. Mas e o seu argumento de que a música é neutra e que é apenas uma linguagem? A música é um elemento mas os artistas e compositores não são neutros. Ou você é de Deus ou do inimigo. Não existe meio termo. Nesta minha vida de compositor, maestro e produtor tenho aprendido diversas lições refletindo erros por mim cometidos. Nunca me usem como exemplo pois sou humano e necessito da graça de Deus. Não podemos continuar em mornidão acreditando que somos neutros. A música pode não ser santa. Mas nós poderemos ser instrumentos de Deus ou do inimigo. Não podemos negar que estamos no meio de um conflito em que o bem e o mal estão tentando nos alistar para seus exércitos. Existe um filme secular em que o protagonista é um advogado que é contratado para representar uma grande firma cujo o presidente é o próprio inimigo. A Bíblia nos relata que até Jesus foi tentado no deserto. Nós, como músicos, estamos no meio desta batalha e precisamos definir o que somos: Ministros ou Artistas. E cada dia que passa percebo que somos tentados em diversos aspectos. Na música, é no desejo de vender bem, na vaidade e ostentação nas capas, e poderia descrever um monte de pequenos ardis. Não é novidade que alguns dos grandes artistas cristãos dos anos 80 e 90 estão fora de circulação por problemas de conduta. Infelizmente esta é uma das formas mais usadas para desacreditar o ministério da música. Primeiro o inimigo leva o artista nas alturas pra contemplar lá do alto o que o mundo oferece e o artista cristão embevecido com o aplauso das multidões e fãs relaxa em seu contato diário com Jesus. Passar a agir como Pedro andando pelas águas. E esquece da dependência de Deus. E é nessa hora que o inimigo afunda os Pedros cantantes da vida (auto suficientes) com drogas, desonestidade, infidelidade, etc.
7. Em que posso contribuir para o ministério da música? Muita coisa pode ser feita vou citar algumas:a) Em primeiro lugar defina de que lado desta batalha você está.b) Transforme os shows de música e feiras de vendas da porta da sua igreja em verdadeiros cultos de louvor a Deus e não culto a pessoa.c) Escreva, envie e-mail, ou telefone para a liderança da igreja, associação, união e missão e os façam saber que o povo de Deus precisa de conteúdo e não de forma ou embalagem bonita. O povo de Deus precisa de ministros e não de artistas marketeiros do gospel.d) Não caia na bobagem de promover uma nova inquisição fazendo lista de músicas que podem ou não podem, acordes que podem ou não podem, ou tentar selecionar os instrumentos que podem ou que não podem. Ore e peça que Deus dê discernimento aos músicos. Ou escolha participantes que já são conscientes na escolha de seu repertório. Lembre-se que um instrumento de percussão como a bateria bem tocado pode inspirar e cumprir um objetivo.e) Elogie, apóie e promova os grupos musicais e indivíduos que já estão comprometidos com o ministério de evangelização.f) Use com discernimento (ou não use) os cartazes e peças promocionais em que o apelo é comercial e culto a pessoa.g) Façam campanhas e comprem instrumentos musicais novos tais como pianos e órgãos para a igreja.h) Incentivem e patrocinem a formação de novos pianistas e instrumentistas na igreja. (Pra cada 10 juvenis que estudam música um será útil pra igreja) É preciso plantar muito pra colher o ideal.i) Formem orquestras e bandas para uso no louvor.j) Ressuscitem o velho coral da igreja. É melhor um bom coral do que 10 conjuntos competindo e brigando na igreja.k) Ao distribuir as mensagens musicais da igreja priorize a participação de mais pessoas. Minha sugestão de prioridade: corais e congregação, orquestras e bandas, conjuntos, quartetos, trios, duetos, e solo.l) Exija de nossas editoras e gravadoras material para o uso na igreja, tais como hinários e partituras, kits de ensaio, etc.m) Por mais cômodo que seja o uso do play -back lembre-se que cada vez que um instrumentista fica sentado no banco, por que foi trocado por música mecânica, você se torna responsável perante Deus por não contribuir com o desenvolvimento do talento dele.
Conclusão: Não é a música, os instrumentos, os acordes, os arranjos, as combinações musicais, mas sim os músicos que fazem a diferença. Você que está lendo este artigo provavelmente tem algum interesse em música, pode ser que cante, toque ou aprecie. Por favor transforme a música da sua igreja em um verdadeiro ministério. Pois a música gospel ou CCM (Música Cristã Contemporânea) é uma arte falida .
a) Falida porque não é original quase sempre é uma cópia mal feita do que existe no mundo secular. Ao invés de promover e incentivar a criatividade e qualidade a música gospel incentiva a mesmice e a repetição. Experimente procurar um nome de um compositor gospel em um dicionário ou enciclopédia séria de música erudita ou popular. Você vai encontrar poucos nomes porque estes músicos não são considerados criadores ou artistas autênticos e o produto que fazem são como disse antes cópias mal feitas do original.
b) É falida também porque esconde as verdadeiras intenções de quem faz e promove. Quem causa mais estrago um lobo ou um lobo vestido de ovelha?
c) Finalmente é uma arte falida porque tira Deus como a figura central e única e coloca o homem em seu lugar. A igreja evangélica sem perceber adotou novos ídolos. Não são mais ídolos de barro ou madeira, mas os substituímos por ídolos de plástico e papel (cds e cartazes) e os adoramos como se estivessem no lugar de Deus.
Eu Flávio Santos, humano e falho, carente da sabedoria Divina, continuo acreditando na música como uma linguagem de possibilidades infinitas para o evangelho, acredito também que a combinação dos elementos musicais pode ser feito de acordo com o livre arbítrio dado por Deus. Acredito que a cultura interage na criatividade. Acredito que na comunicação precisamos usar a linguagem do povo e ir onde o povo está. Mas não acredito no uso destes elementos para fins comerciais e de ostentação pessoal. E não consigo concordar que os produtores e executivos de gravadoras seculares cujas crenças e práticas são incompatíveis com o nosso objetivo de vida, determinem e ditem o que é cantado em nossa igreja. E não concordo com o chover no molhado dos artistas gospel do nosso meio. Não vemos o artista direcionando o seu trabalho para a evangelização, o que vemos é shows pra nós mesmos. Precisamos dar um basta nisso.

História da Musica

História Resumida da Música - Origens
Clarindo Gonçalves de Oliveira

Entre os vestígios remanescentes das grandes civilizações da antiguidade, foram encontrados testemunhos escritos em registros pictóricos e escultóricos de instrumentos musicais e de danças acompanhadas por música. A cultura sumeriana, que floresceu na bacia mesopotâmica vários milênios antes da era cristã, incluía hinos e cantos salmodiados em seus ritos litúrgicos, cuja influência é perceptível nas sociedades babilônica, caldéia e judaica que se assentaram posteriormente nas áreas geográficas circundantes. O antigo Egito, cuja origem agrícola se evidenciava em solenes cerimônias religiosas que incorporavam o uso de harpas e diversas classes de flautas, alcançou também alto grau de expressividade musical.
Na Ásia - onde a influência de filosofias e correntes religiosas como o budismo, o xintoísmo, o islamismo etc. foi determinante em todos os aspectos da cultura -- os principais focos de propagação musical foram as civilizações chinesa, do terceiro milênio antes da era cristã, e indiana.
O Ocidente europeu possuía uma tradição pré-histórica própria. É bem conhecido o papel preponderante assumido pelos druidas, sacerdotes, bardos e poetas, na organização das sociedades celtas pré-romanas.
A tradição musical da Anatólia, porém, penetrou na Europa através da cultura grega, cuja elaborada teoria musical constituiu o ponto de partida da identidade da música ocidental, bastante diversa da do Extremo Oriente.
A música americana pré-colombiana possui acentuado parentesco com a chinesa e a japonesa em suas formas e escalas, o que se explica pelas migrações de tribos asiáticas e esquimós através do estreito de Bering, em tempos remotos. Finalmente, a cultura musical africana não-árabe peculiariza-se por complexos padrões rítmicos, embora não apresente desenvolvimento equivalente na melodia e na harmonia.
Ao redor 500 D.C. a civilização ocidental começou a emergir do período conhecido como " A Idade Escura, " . Durante os próximos 10 séculos, a Igreja católica recentemente emergida dominaria a Europa, enquanto administrando justiça, instigando " as Cruzadas Santas " contra o Leste, estabelecendo Universidades, e geralmente ditando o destino da música, arte e literatura. Dessa forma classificou a música conhecida como canto gregoriano que era a música aprovada pela Igreja. Muito posterior, a Universidade de Notre em Paris viu a criação de um tipo novo de música chamada organum. Foi cantada a música secular por toda parte na Europa pelos trovadores e trouvères de França. E foi durante a Idade Media que a cultura ocidental viu a chegada do primeiro grande nome em música, o de Guillaume Machaut.
Diante do exposto, podemos dividir a história da música em períodos distintos, cada qual identificado por um estilo. É claro que um estilo musical não se faz da noite para o dia. É um processo lento e gradual, sempre com os estilos sobrepondo-se uns aos outros. Mas, para efeito de classificação, costuma-se dividir a História da Música do Ocidente em seis grandes períodos:

Música Medieval até cerca de 1450
Música Renascentista 1451 - 1600
Música Barroca 1601 - 1750
Música Clássica 1751 - 1810
Música Romântica 1811 - 1900
Música Moderna - 1901 em diante

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Um pouco da História dos Ministérios de Musica no Brasil

MILAD – MINISTÉRIO DE LOUVOR E ADORAÇÃO. 1985
Registrar um pouco da história do Milad não é uma tarefa fácil, afinal, foram 18 anos de intenso trabalho pelo Brasil.
Nelsão Wesley Vasques
A idealização inicial do ministério foi de Nelson Pinto Jr (sempre chamado de Nelsão) que integrou o grupo de missionários de Vencedores Por Cristo em 1979. Sua primeira missão foi, junto com Dimas Pezzato, liderar e treinar a 30ª equipe que viajou por 58 dias diretos de São Paulo a Manaus, passando por quase todas as capitais. Deus trouxe através da vida do Nelsão, um despertamento especial pelo povo do Norte e Nordeste, região onde a maioria das equipes que treinou passou.
Entre as equipes treinadas, a 41ª de 1984, era formada por um grupo diferente das outras equipes. Além do Nelsão, tinha a Susie Duarte Costa como missionários de VPC, teve o Wesley e Marlene, um casal vindo de Goiânia e outros componentes (Sergio Ribeiro e Lílian, Marinho, Rubenita, Roberto Barros, Amilton Berescki e José Roberto Prado) que já vinham com uma experiência em VPC e outros grupos musicais evangélicos da época. Um dos assuntos durante a viagem, era a possibilidade do músico cristão viver exclusivamente da música cristã. Após o encerramento da turnê de treinamento, o grupo continuou trabalhando e discutindo o assunto. Da equipe original, alguns saíram e outros foram chegando e a idéia de ter um grupo de tempo integral que pudesse levar às igrejas do Brasil um conceito mais bíblico e prático do louvor e adoração, foi amadurecendo e ao final de 1984 foi lançado o desafio ao grupo de criar um ministério específico para servir a Deus através das artes cristãs. Para muitos pareceu uma loucura, pois em uma época onde apenas os pastores de uma Igreja local tinham, e com dificuldades, salários fixos, sobreviver simplesmente de ofertas era quase impossível, ainda mais das artes cristãs.

Assim, em janeiro de 1985 nasceu o MILAD – Ministério de Louvor e Adoração, fruto de uma visão que Deus concedeu com foco no ministério de evangelizar e edificar através das “artes cristãs”. O MILAD começou formando o grupo musical chamado “ Àgua Viva”. Músicos cristãos profissionais, com dedicação integral, para atender as inúmeras oportunidades de trabalho entre adultos, jovens, adolescentes e crianças, realizando apresentações musicais evangelísticas e de ministração didática sobre Louvor e Adoração. Nelsão, Nila Munguba, Wesley Vasques, Marlene Vasques, José Roberto Prado, Valdívia Prado, João Alexandre Silveira, Cid Caldas, Roberto Barros ( Beto), Abraham Gomes Gamboa, Toninho Zemmuner , Fernando e Eversom, integraram a primeira formação em 1985.
Do início até o fim do ministério, por onde passou, a grande dificuldade sempre foi conceituar a possibilidade bíblica do músico e do artista cristão, poder viver e receber dignamente pelo trabalho que ele estava realizando. Viajar por todo o país initerruptamente, deixando família, interesses pessoais, conforto e sonhos de futuro promissor foi e ainda é loucura para muitos.
Inicialmente as viagens aconteceram numa boa e velha Veraneio , com um super bagageiro e carretinha, iam apertados 6 pessoas e mais uma boa quantidade de equipamentos, parte emprestada, parte ganha, parte comprada, pois as igrejas na época mal tinham um sistema de som para atender suas próprias necessidades ainda mais de um grupo com bateria, violão, baixo, piano Suette, dois saxofones, percussão e vocais. Numa época em que a importação era proibida, cantar usando um microfone Shure SM 58 era algo raro. O restante do grupo ia de ônibus ou quando possível, conseguia mais um carro para levar a turma. Mas esse aperto durou pouco tempo, pois com a ajuda de alguns irmãos e a Veraneio dada como entrada, foi possível comprar o primeiro ônibus, um Mercedes Benz 1968 Rodoviário.
Aos poucos, o ônibus foi adaptado com, beliches, mesas que viravam camas, espaço para som, iluminação e bagagem. As viagens ficaram mais baratas e rápidas, pois enquanto alguns dormiam outros (com o amparo de anjos) iam revezando na direção do ônibus.
Em 1985 aconteceu a primeira de duas viagens missionárias evangelísticas marcantes que o grupo realizou em Serra Pelada no Pará. Com a coordenação do irmão Aristóteles Sakai de Freitas, o Totinho, a ajuda de alguns irmãos que viviam no garimpo e igrejas da cidade de Imperatriz no Maranhão, possibilitaram a realização da Cruzada Evangelística com o tema “ Jesus Mais Precioso Que o Ouro”.
Cerca de 40 mil garimpeiros ouviram falar do evangelho de Jesus naquela noite. Logo após a ministração dessa verdade, fizeram o apelo e aproximadamente 5 mil pessoas se dirigiram para o campo de aviação atrás do palco, e então aceitaram a Jesus como Salvador de suas vidas. Isto foi um motivo de muita alegria para todos. Milhares de exemplares do evangelho de João, com o tema da campanha, foram doados pela Sociedade Bíblica do Brasil e distribuídos a quase todos que estavam lá. Essa viagem foi a inspiração para as músicas “Coração de Garimpeiro”, “Dentro do Peito” (para caminhoneiros) e “Esquina Cruéis, focada nas meninas, moças e mulheres que viviam no “Quilômetro 30”, um vilarejo perto de Serra Pelada aonde a prostituição era a “mercadoria” mais procurada pelos garimpeiros. Em 1986 o grupo voltou para o mesmo local para um novo desafio evangelístico. Integraram ao grupo nesse projeto a Tirza, esposa do João Alexandre, Luís, novo baterista, Paulo Munguba, na iluminação e Robertinho, fazendo dupla com o Beto na percussão. O Milad, além de todo o projeto ministerial, introduziu em suas apresentações alguns itens para aprimorar a comunicação: iluminação e som de boa qualidade. Boa qualidade de som naquela época representava caixas grandes e pesadas que o próprio grupo tinha que descarregar, montar, desmontar e carregar a cada apresentação. Em 1987, com tantos compromissos e muitas oportunidades de trabalho, o Milad iniciou o processo de montar um segundo grupo formado por músicos do norte e nordeste para atender a essa região. Deus foi enviando os músicos, outro ônibus, equipamentos e as viagens. Outro grupo, além de dobrar as possibilidades de trabalho, dobrava também as possibilidades de problemas. Em um ministério caracterizado pela sensibilidade artística, era previsível que a expressão corporal e o teatro fossem incorporados ao leque de alternativas de evangelização.
Formou-se então, o Grupo Criação, uma espécie de companhia teatral e Dança Terra, grupo de coreografia que acompanhavam o grupo “Água Viva “, mas como os dois grupos de música, não foi possível ao Teatro e Dança, viver integralmente no ministério .
O Milad também foi responsável pela organização de uma série de retiros chamados “A Criatividade no Reino de Deus”, que disseminou em várias cidades do país o conceito de usar toda manifestação artística como forma de comunicação do Evangelho. Era impressionante ver, no mesmo lugar, tanta gente com o desejo de servir a Deus com os dons e talentos que Deus havia concedido a eles.
Talento sempre foi importante, mas não o único requisito necessário para ser um missionário do Ministério de Louvor e Adoração. Das dezenas de pessoas que integraram o Milad, quase todas tiveram que colocar frequentemente em prática pelo menos duas outras virtudes: a renúncia e a paciência. Dificuldades como deficiência de infra-estrutura nas cidades visitadas, do próprio ministério, a distância de casa e o convívio de tantos temperamentos diferentes, emprestavam ao grupo ares típicos de uma família itinerante. Aventura, saudade, tensão, saia justa, perdão, amizade – cada viagem tinha um pouco de tudo.
Nelsão conta que, enquanto foi novidade, a rotina de viagens constantes era encarada com muita disposição, “depois de muita estrada e canseira, o grupo sentia o desgaste”. Nas cidades visitadas não foram poucas as surpresas reservadas para os músicos, geralmente encaradas com bom humor. “Nos acostumamos, com o passar do tempo, a enfrentar qualquer tipo de circunstância” conta João Alexandre, “teve uma ocasião que um irmão que recebeu um casal do grupo para hospedar, colocou um lençol no chão para dormirem, justificando que, como missionários estavam acostumados. Isto com quatro ou cinco camas vazias em casa.”
Passar semanas longe do lar, compartilhando tempo e espaço com pessoas tão diferentes – mesmo irmãos na fé – era uma tarefa difícil. Divergências também faziam parte do dia a dia do Milad. Afinal, se Pedro e Paulo também tiveram suas discussões, não chega a ser surpreendente que um grupo tão grande de missionários também tenham suas rusgas. “O convívio era um desafio constante” conta Nelsão. “ Chegamos a passar 30, 40 dias viajando. Eram pessoas com gostos e temperamentos diferentes. Dá para imaginar quantas coisas tinham que ser acertadas para nos sentirmos bem uns com os outros e ministrarmos a adoração”.
João Alexandre reconhece que nem sempre as diferenças eram resolvidas com a rapidez que se esperava, “havia momentos de convivência pacífica e tremendas discussões, de vez em quando, eram mais críticas que elogios, outras vezes, perdão sincero”.
O que mais impressionou ao Wesley, é o fato de nenhum ressentimento ter sobrevivido.”Uma discussão podia surgir, por exemplo, na hora do ensaio. Fazíamos reuniões de oração regulares, e muitas divergências eram resolvidas por ali. Graças a Deus, nunca houve uma “briga” sem reconciliação”.
Foram verdadeiros pioneiros no exercício do “chamado em tempo integral” em um tempo que pouca visão para sustento existia. Mesmo tendo participado de vários eventos no Brasil e no exterior, muitos de grande porte, como o Geração 90, COMIBAM e uma turnê aos Estados Unidos, o grupo tinha que caminhar na linha estreita traçada pelo orçamento, definido pelo volume de ofertas e das vendas de discos.
O Segundo Grupo Água Viva, assim como os grupos Criação e Dança Terra, não resistiu por muito tempo. “O mais complicado era arranjar o sustento financeiro para todas as pessoas”. Patrocínio, a palavra mágica que faz brilhar os olhos dos idealistas, mas provoca calafrios nos empresários, era muito difícil de ser captado. A solução foi enxugar. Exatamente por isto, a agenda ficou bem mais restrita, o que chegou a dar a impressão de que o Milad havia acabado. Uma difícil tarefa foi transformar a visão de muitas igrejas onde, a maioria delas buscam ser abençoadas com o talento e o trabalho dos músicos que se convertem, mas sem se mobilizar no sentido inverso, sustentando suas vidas e famílias. Mas, mesmo com toda a dificuldade, houve muitas mudanças na Igreja Brasileira nesse sentido.
Em 1990, período que o custo de vida era alto e sempre crescente, morar em São Paulo era complicado e como grande parte dos trabalhos era para o Norte, Nordeste, Centro Oeste e Sudeste, o MILAD transferiu tudo e todos para Goiânia, logisticamente seria mais produtivo. O Nelsão mudou com a família para os EUA em 1991 a fim de realizar uma ponte entre o MILAD do Brasil e a necessidade que as comunidades brasileiras instaladas nos EUA tinham, e um grupo como o MILAD contribuiria para o crescimento espiritual deles na área do Louvor e Adoração. Depois de alguns anos tentando isso, tiveram que mudar o foco e mudar os planos extinguindo esse braço do MILAD naquele país. Sempre com o objetivo de estar a serviço da igreja e não ser uma igreja, o MILAD continuou atuando até 2003, quando diante de tantas dificuldades, Wesley e Marlene que estavam a frente do ministério, aceitaram o convite da Rádio Transmundial para serem seus divulgadores e atuam como dupla cantando pelo Brasil, encerrando assim as atividades do MILAD.
Com certeza gostaríamos que o MILAD tivesse deslanchado como tantos ministérios na área do louvor que surgiram depois. É possível pensar que o MILAD participou nos anos 80, junto com outros ministérios, como desbravadores de um caminho duro que facilitou para os que vieram atrás. Para os integrantes que passaram pelo MILAD, o ministério foi uma escola e também uma confirmação que Deus queria muito deles servindo ao Reino de várias formas, seja na música, nas artes, em missões, pastoreando, atuando em organizações sociais, etc
O MILAD ou ter feito parte do MILAD, foi necessário pagar um preço alto, mas nenhum preço foi mais alto que o preço que Jesus pagou pela nossa salvação, por isso, ontem, hoje e sempre, os ministérios de Louvor e Adoração querem servir ao Senhor com o dom e talento que Deus concedeu a tantos artistas cristãos.

Abaixo a discografia do Milad marcada pela brasilidade na suas letras ritmos e melodias, algo que poucos se arriscaram a fazer.
Àgua Viva – Outono de 1985 Milad 1 – Outono de 1986 Retratos de Vida – Outono /inverno 1987 Milad 2 – Outono de 1990 Pra cima Brasil – Verão de 1990 Milad 3 – Verão de 1995 Recomeçar (Wesley e Marlene) – 1998
Coletânea Milad 1, 2 e 3 – 2005 Coletânea Água Viva, Retratos de Vida e Pra Cima Brasil – 2005


Integrantes que participaram do Ministério do Milad.
Abraão Gamboa – sax Cid Caldas – teclados Fernado – bateria João Alexandre Silveira – vocal e violão José Roberto Prado – sax e vocal Valdivia Prado – vocal Nelson Pinto Jr – vocal Nila Munguba Pinto – vocal Roberto Candido Barros – percussão Toninho Zemmuner – baixo e vocal Eversom – sonoplasta Wesley Vasques – vocal Marlene Vasques – vocal Luiz – bateria Tirza – vocal Marinaldo – Som Alberto – flauta Cássia – vocal Coracy – vocal Eliã Ambrósio– vocal Isaías – baixo Marilson – guitarra Ney – teclados Valmir – bateria Valvir Soares – vocal
Décio – guitarra Guilherme – bateria Hélio – John Wayne – baixo Olemir – guitarra Martha – teclados

Origem do Violão

Os instrumentos de cordas pulsadas originaram-se da Lira dos antigos Gregos e Egípcios. Universalmente conhecido como guitarra, o violão, pertence ao grupo de instrumentos de cordas pulsadas que se dividem em:
Providos de haste ou braço (Guitarra, Alaúde, Vihuela).
Sem haste ou braço (Harpa, Lira).
A origem da guitarra (violão) propriamente dita é muito confusa, provavelmente tenha a mesma origem dos outros instrumentos de corda pulsada: Alaúde, Vihuela, etc. Durante o renascimento, em toda a Europa, o instrumento que predominava era o Alaúde, com exceção da Espanha, onde o instrumento predominante era a Vihuela.
Os musicólogos que se dedicam ao estudo da guitarra (violão) dividem-se entre duas hipóteses sobre a sua verdadeira origem:
A de que o instrumento teria derivado do alaúde Caldeu-Assírio que os Egípcios, Persas e Árabes levaram para a Espanha;
A de que o instrumento seria resultado de sucessivas transformações a partir da Kethara Grega ou Assíria, precursora da Cítara ou Fidícula romana, da Rotta ou Crotta medieval inglesa e, finalmente, da Vihuela espanhola do Século XVI.
É quase certo que ao chegarem à Espanha com seus Alaúdes, os Árabes já tenham encontrado lá a vihuela. Nas Cantigas de Santa Maria, do rei Alfonso X, El Sábio (1221 – 1284), rei de Castela de 1221 a1284, apareciam ilustrações de dois tipos distintos de guitarra, uma oval, com incrustações e desenhos Árabes, mas nas mãos de um músico Mouro, que seria a guitarra mourisca; outra em forma de oito, com incrustações laterais, tocada por um músico de feições romanas, que seria a guitarra latina.
Cem anos mais tarde, no século XIV, Guillaume de Machault cita em suas obras a guitarra mourisca e a guitarra latina. No século XVI na Espanha, a guitarra mourisca com quatro coros de cordas, era usada para acompanhar cantos e danças populares, enquanto que a guitarra latina – a vihuela, pertencia ao músico culto da corte. A Vihuela tinha três denominações distintas: vihuela de mano (em nada diferente do violão atual), vihuela de arco e vihuela de plectro.
A vihuela de mano constava de cinco cordas duplas mais a primeira que era simples. Os vihuelistas além de precursores dos guitarristas do século XVII, foram também criadores de métodos e formas musicais que serviriam de base para toda a música instrumental que viria depois.
A vihuela vai desaparecer devido a busca de novos recursos e maior intensidade sonora. O povo porém fiel à guitarra, continua descobrindo novos caminhos para ela, utilizando-a inicialmente para os rasgueados e acompanhamento do canto. Devido ao seu grande uso na Espanha, a guitarra passa a ser conhecida nos demais países como Guitarra Espanhola, sendo que o seu período de triunfo ocorrerá no século XVII.


COSTA, Clarissa L. da. Uma Breve História da Música Ocidental. São Paulo: Ars Poética, 1992.
DUDEQUE, Norton. História do Violão. Curitiba: UFPR, 1994.
GRUNFELD, Frederic V. The Art and The Times Of The Guitar.
MAGNANI, Sérgio. Expressão e Comunicação na Linguagem da Música. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1989.
OLIVEIRA, C. Bellezi de. Arte Literária Portugal - Brasil. São Paulo: Moderna.
RAGOSSNIG, Konrad. Handbuch Der Guitarre Und Laute. Mainz: Schott, 1978.
VIGLIETTI, Cedar. Origen e Historia de La Guitarra. Buenos Aires: Editorial Albatros, 1976.
AZPIAZU, José de. La guitarra e los guitarristas. Buenos Aires: Ricordi, 1961.

domingo, 27 de setembro de 2009

Ministros de louvor terão que pagar para tocar ou a igreja será multada

É isso mesmo o título da matéria não está errado, de acordo com a autarquia federal “Ordem dos Músicos do Brasil” (OMB), quem não possuir uma “carteirinha” de músico pela ordem terá que pagar uma multa, isso incluí bandas que se apresentam em shows, cantores e até levitas, então você que está inserido no louvor de sua igreja local se não possuir a “carterinha” será multado, quer dizer, você não, mas a igreja na qual você pertence sim!
Este absurdo é graças a enferrujada Lei 3.857, de 22 de dezembro de 1960, que regula a atividade de músico, exigindo que só pode exercer a profissão quem estiver registrado na OMB.
Até ai tudo bem, o problema é que este registro custa R$215,00 e após o seu ingresso na entidade o músico terá que pagar uma taxa anual de R$100,00, para manter a “carterinha”. Outro detalhe de relevância é a criação da Delegacia Musical Cristã, que foi inaugurada em março de 2009, e tem como objetivo fiscalizar as igrejas para enquadrar quem não apresentar está licença, serviço que já ocorreu na sede da Bola de Neve Church em São Paulo, onde a igreja foi multada pelos seus músicos não possuírem o documento da OMB. A igreja através de seus advogados foi obrigada a entrar com um mandado de segurança para evitar o pagamento desta multa. A liminar foi deferida, suspendendo o auto de infração e impedindo, até o julgamento do mérito, que a autarquia tome qualquer atitude coercitiva em face da igreja e músicos que tocam em seus cultos.“A petição teve vários embasamentos legais, como a liberdade constitucional de culto e a voluntariedade dos músicos da igreja, entre outros”, informou a advogada Taís Piccinini, responsável pela ação em entrevista para a matéria também sobre este mesmo assunto no portal Cristianismo Hoje. “O que acontece na igreja não é e nunca foi um show, mas culto a Deus, onde o amor e dedicação são os únicos incentivos para o trabalho no templo.” declara.Uma esperança contra está autarquia, é a PL 223/09 do nobre Deputado Giannazi (PSOL), que pretende garantir o livre exercício da atividade de músico.

Fonte: Clip Gospel Music / Gospel+Via: Adorando

sábado, 26 de setembro de 2009

Adoração Extravagante, segundo Darlene Zschech

Por Nelson Bomilcar em 10 de janeiro de 2008 em Artigos, Livros
Sons de Hilsong Church, ventos da Austrália, adoração do coração de Darlene. Em suas próprias palavras, “alguém que não se satisfaz em fazer belas músicas, mas cuja paixão é promover o Reino de Deus”.
Darlene Zschech é ministra de louvor em sua igreja local, compositora de canções de adoração (Aclame ao Senhor, uma das mais conhecidas) e tem procurado vivenciar em seu ministério atual, em função de uma experiência pessoal com o Senhor, segundo seu testemunho, uma adoração mais profunda dentro de uma nova declaração de fé ou uma nova bandeira para o primeiro ano do novo milênio.
Afirma que ouviu o Senhor lhe dizer que com brandura em momentos de busca e oração: “Filha, você ainda não é uma adoradora extravagante”. Em sua explanação, definiu extravagante como “aquele que esbanja”, que excede, que é ultrageneroso, que vai além de limites razoáveis. Em sua mente e coração, relacionou esta idéia com alguns relatos bíblicos de adoração, como por exemplo, em Lucas 7.
O texto relata a história da mulher pecadora que trouxe algo considerado como “adoração esbanjadora”, segundo sua interpretação, pelos que testemunharam a cena. A mulher lavou os pés de Jesus com lágrimas, secou-os com os cabelos, beijou-os e em seguida derramou seu caríssimo perfume do jarro de alabastro sobre os pés do Mestre. Quando ela derramou sua oferta, Ele lavou-lhe a alma quebrantada. Porque ela amou com extravagância, escreve Darlene, “Ele lhe perdoou com extravagância”. Na compreensão dela, houve extravagância na devoção.
Darlene ensina que a verdadeira adoração ocorre quando o espírito adora e se une com o Espírito de Deus, quando a essência de nosso ser se encontra amando a Deus, perdida nele. Mesmo valorizando o louvor congregacional, Darlene reconhece que a adoração mais genuína acontece no secreto, na intimidade, individualmente, como adoradores de Cristo!
Constatei que Darlene tem a mesma opinião que expressei em artigo anterior na Provoice (“Confusão na adoração”): “existem atualmente muitas opiniões diferentes a respeito de adorar verdadeiramente ao Senhor, quanto ao método, ao plano, ao estilo, referentes à cultura, aos limites, e elas infelizmente, quase sempre deixam a maioria confusa, dividida e frustrada”. (pg 25 do livro “Adoradores Extravagantes”)
Em sua interpretação e concepção adjetiva de “extravagante”, Darlene crê que Noé era um adorador extravagante, por ter passado por situações extremas e em meio a tudo continuou louvando a Deus (Gn 8.20), que Abraão era extravagante por não poupar a seu próprio filho Isaque (Gn 22.12), pois estava preparado para dar tudo, era ultragenoroso, excessivo; que Davi só queria oferecer holocausto que custasse algo, que fosse sacrificial (1 Cron. 21).
Adoração extravagante atrai e mantém a atenção de Deus, provoca uma reação generosa do próprio Deus. Segundo Darlene, trata-se de causa e efeito! Amar extravagante é ter um estilo de vida em amor “Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a tua alma, de todo o seu entendimento e de todas as forças (Mc 12.30). Amor, obediência e adoração caminham juntos com sinceridade, integridade, honestidade, obediência e verdade (Sl 86.11).
Darlene também realça que louvor e adoração são uma poderosa expressão de amor, que vai muito além das possibilidades da música. Mostra que a extravagância abrange um coração transparente, reconhecer que a fidelidade é mais importante que o talento, que o testemunho, a excelência, o serviço, a unidade, a amizade, disciplina e determinação, são importantes. Não são ensinos revolucionários ou novos, mas corretos e sempre benvindos.
Darlene concorda com C. S. Lewis que define a adoração como “a saúde interior que pode ser ouvida”. Adoração é a experiência e a emoção mais desprendida, abnegada, de que a nossa natureza é capaz. Neste sentido, Darlene mostra que é absolutamente essencial que sejamos controlados em nossas emoções e reações emocionais; que como cristãos criativos, saudáveis e amantes da Palavra, devemos nos submeter a Cristo e deixar que Ele controle nossas emoções.
Ao contrário do que temos visto, em várias ministrações “tupiniquins”, com o descontrole emocional e o destempero de ministros que forçam a barra, Darlene mostra que as emoções quando chegam ao máximo, instalam atitudes negativas, às vezes catarses incontroláveis, depois tristeza e depressão. Chama a atenção em seu livro que é necessário a ministração com responsabilidade e maturidade.
Enfim, temos em seu ensino e ministrações coletivas e congregacionais, bons caminhos para adoração, para o crescimento da igreja e dos músicos na adoração na igreja local. Na realidade, a palavra extravagante poderia ser substituída por vários outros adjetivos na língua portuguesa, perdendo um pouco de sua ênfase, porém sem prejudicar o que Darlene tem transmitido.
Ela é uma serva humilde, sincera, tem tido um ministério reconhecido mundialmente e tem uma boa formação bíblica. Além de ter sua espiritualidade moldada no convívio e comunhão da igreja local, com autoridade espiritual sobre ela. Darlene é um ótimo exemplo para os músicos, chamados levitas, que não estão congregando mais (estão “levitando por aí”, desconectados do corpo), apenas se servindo da igreja para alavancar suas carreiras e venderem seus produtos.
Que Deus tenha misericórdia e que voltem a congregar. E que nós aprendamos a derramar nossos corações, em secreto e coletivamente, e vermos o Senhor Jesus ser adorado e glorificado!!! Leiam o livro de Darlene e retenham o que é bom. Aprendendo uns dos outros, cresceremos na adoração!